Uma bênção concedida a um casal gay motivou o afastamento do
padre César Garcia de suas atividades na Paróquia São Leopoldo, em Goiânia. A
decisão foi comunicada a ele na terça-feira (10) pelo arcebispo de Goiânia, dom
Washington Cruz. O pároco deve permanecer ausente das atividades até que a
Igreja Católica conclua um inquérito sobre o caso.
A medida é consequência da presença do religioso em um
evento no último dia 20, quando dois arquitetos celebraram a união homoafetiva,
que já dura 11 anos. César Garcia foi um dos convidados para a celebração na
residência do casal.
Padre César relata que esteve no local como amigo dos
arquitetos, e não como representante da Igreja Católica. Ele disse que,
inclusive, não utilizava batina e estava vestido como uma pessoa comum.
"Eles não pediram sacramento, não pediram nada disso,
pediram uma oração", afirma. O padre relata ter rezado o Salmo 83 da
Bíblia e feito um discurso sobre "a grandeza do amor e o respeito às
pessoas".
Porém, fotos da celebração, que mostravam a presença do
padre, foram publicadas em redes sociais e repercutiram entre os membros mais
conservadores da Igreja. Um processo canônico no Tribunal Eclesiástico de
Goiânia foi aberto para investigar o caso. Antes que a investigação fosse
concluída, entretanto, o clero determinou o afastamento do padre por tempo
indeterminado.
Surpreso com a repercussão do caso, o arquiteto Leo Romano
explicou ao G1 que o objetivo da presença de César Garcia na cerimônia era o de
abençoar a residência do casal. "Em momento nenhum se falou essa palavra
casamento, não houve aliança, entrada de padrinho. Foi uma celebração de amor",
diz.
Por outro lado, para a Igreja, a presença do padre deu
margem para interpretações errôneas da intenção dele e do casal. "A
presença de uma pessoa, ainda que silenciosa, diz alguma coisa. E nesse
sentido, a presença do padre César não é uma presença indiferente, ainda que
não tivesse dito nada. E, certamente, dentro dessas circunstâncias, essa
presença vai contra as convicções da Igreja Católica", afirma o padre e
professor de teologia moral Luiz Henrique Brandão, representante da
Arquidiciose de Goiânia.
“Nesse caso, se houver possibilidade de confusão, é melhor
que aquela bênção não fosse feita justamente para se evitar em quem recebe e em
quem participa dela, uma confusão", completa.
Entretanto, padre César defende que a bênção não deveria ser
punida. "Nós entendemos que todos somos filhos de Deus e merecemos uma
benção. Não se nega benção a ninguém", diz.
Segundo o padre Luiz, César e testemunhas serão ouvidos pelo
caso. Ele afirma que a medida de afastamento não foi uma punição, mas “um ato
que quer remediar e favorecer a resolução da situação”. Não há prazo para que o
a Igreja conclua a investigação.
Fonte: http://g1.globo.com/goias/noticia/2014/06/padre-e-afastado-de-igreja-apos-abencoar-casal-gay-em-goiania.html

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