segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Atletas tiram fotos inusitadas para lutar contra a homofobia

A equipe de remo britânica tem um jeito inovador de combater a homofobia: um calendário com imagens de seus esportistas em cenas inusitadas. O dinheiro arrecadado é destinado a entidades que combatem a homofobia.

Essa popular equipe de remo da Universidade de Warwick, de Londres, no Reino Unido, é admirada pela produção de calendários beneficentes desde 2009, os atletas da modalidade participam de ensaios artísticos solidários que lutam contra desigualdades, seja ela social, étnica, religiosa ou por opção sexual.











Fonte: Educação Física da Depressão.

M.A.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Por quê os gays sofrem tanto desrespeito?

Por Fabrício Longo, d’Os Entendidos
 
Sempre me perguntei se uma das razões da homofobia não seria a inveja. Um tipo de recalque hétero, em relação às cores fabulosas de nossa liberdade de ser e de desejar, mas principalmente do nosso sexo. Um sexo que é safado, sujo, dos becos e saunas e boates, com toda a dor e a delícia que só o profano proporciona. Um sexo maldito e underground, tão diferente do “papai-e-mamãe” institucional que chega a causar repulsa, quase na mesma proporção em que gera fascínio. É, faz sentido. Ou pelo menos fazia…
 
Durante anos, o preconceito contra homossexuais foi alimentado por uma imagem de promiscuidade e libertinagem que criou o mito do “gay predador”, que estaria sempre disposto ao sexo e à espreita para devorar criancinhas converter um hétero.  Mais que isso, atrelou essa imagem – e todo o horror dela – à identidade gay em geral, como um tipo de “marca da espécie”.
 
A homofobia sempre faz esse caminho. Ela apaga a individualidade e transforma “os gays” em uma coisa só, uma espécie de monstro – ou ditadura – onisciente, pronto para o ataque.  É um tipo particularmente cruel de exclusão, que transforma a sexualidade em identidade e dita qual delas deve ser considerada normal e qual é a desviada, fazendo com que a diferença afete a visão de mundo de todos. Às vezes, quem detém o poder nem percebe isso, mas certamente não deseja perdê-lo. E quem é excluído passa a vida como um pedinte, de mãos estendidas por uma esmola de aceitação.
 
Ora, a homossexualidade só é invejável se for aproveitada! Envelhecer com o mesmo parceiro, criando gatos numa casinha com cercas brancas é uma opção maravilhosa, pois felicidade não tem receita. Entretanto, é só mais uma opção. A beleza da diversidade é a liberdade de escolha, e adequar-se a um padrão considerado “respeitável” não significa ser superior a quem pensa diferente. Ser um “gay limpinho” é bom, mas ser “bicha destruidora” também.
 
Não é curioso que o estereótipo aceitável seja masculino-branco-educado-rico, e que a definição do que é execrado seja afeminado-negro-sem estudo-pobre? É muito fácil julgar quando se está em posição superior, mas a triste sina da bicha moralista é justamente essa: gritar por inclusão em um sistema que nunca a aceitará.
 
Teoricamente, além de uma sexualidade mais liberal, a vivência da homossexualidade deveria nos fazer pessoas mais generosas. É compreensível que o privilegiado não tenha ciência de seu privilégio, mas é absurdo que o excluído não perceba sua posição. Mais bizarro ainda é quando esse excluído não tem capacidade de empatia para com outros “desviados” e pior, reproduz a discriminação para se colocar acima de alguém. Pisa para ser menos pisado, para sair melhor em comparação. Essa é a nossa vergonha. Isso sim é um desrespeito. E de quebra, ainda mostra o quão danosa é a nossa homofobia internalizada.
 
Um indivíduo postou uma selfie de dentro do motel, em plena ação. Outro dia, um ex-ator pornô foi “flagrado” em um aplicativo, com um perfil que procurava sexo a três com o namorado. Qual foi a reação do mundinho? Espanto! Horror! “É por isso que não somos respeitados, por causa desse tipo de gay!”
Ah, gente…
 
Sexo é ótimo, todo mundo adora. Madonna à parte, se existe alguma coisa que empresta unidade aos homossexuais é o desejo sexual, já que até a afetividade não é praticada por todos. Como grupo, somos definidos por nossa sexualidade. É ela que vira um marcador cultural de identidade, concordemos com isso ou não. Moralismo simplesmente não combina com o arco-íris, é muito cinza ou bege…
 
Temos radares de caçar homem instalados em nossos celulares e compartilhamos barbaridades em grupinhos do Face ou do Whats, e no entanto nos preocupamos com a “nossa imagem” para o mundo exterior. O fantasma da exclusão é tão grande que nos convencemos de que os héteros estão preocupados com o que fazemos.
 
Como assim, gente? Não somos respeitados porque o machismo se alimenta desse desrespeito, dessa generalização da inferioridade. Essa prática de “vigiar e punir”, apontando qual comportamento seria digno ou não, só nos mantém no lugar que foi designado para nós: o inferior.
 
Nós sempre seremos considerados inferiores porque a heterossexualidade – a norma – precisa dessa validação. É necessário apontar o reprovável para que seja possível colocar-se acima disso, e essa situação não vai mudar. Transformar atitudes individuais – sejam elas consideradas certas ou erradas – em ônus ou bônus para TODOS os gays é uma ignorância. É homofobia. É gritar que “essa bicha não me representa” tentando se diferenciar, apenas para reafirmar a ideia de que somos todos a mesma coisa. É um paradoxo.
 
Se somos tão diferentes, qual seria o porquê  de nos defendermos dessa forma? Se cada um é responsável por suas ações, que diferença faz que A ou B aja desse ou daquele jeito? Não se vê heterossexuais sendo responsabilizados como um todo por, por exemplo, crimes praticados por indivíduos, certo? Já disse uma vez que “respeito não se pede e nem se conquista, é um direito universal”. Então não há razão para aplicarmos esse tipo de julgamento tão ferrenho entre nós.
 
É claro, a não ser que concordemos com nossa inferioridade. Isso sim, além de vergonhoso, é digno de pena.

sábado, 2 de agosto de 2014

Sauna gay, como tudo funciona!

“O que me leva até a sauna é o tesão imediato.” É essa a resposta direta do produtor de arte Fabio Oliveira de Santana, 25. Hoje frequentador esporádico dos espaços, ele relata que ia com mais frequência quando era mais novo. Sua iniciação na sauna foi aos 18. “No começo era um fetiche mesmo, mas depois virou o lugar onde eu sabia que poderia ir para transar”, explica.
 
Sauna gay é uma definição e significa uma mistura de spa com balada. Frequentadas por homossexuais, as saunas gays existem em praticamente todo o mundo, com variações típicas de cada lugar. Os gays as frequentam com propósitos distintos.

“Posso te dizer que é um universo à parte", explica Fábio. "Ali você encontra do menino que está se descobrindo até os caras bem mais velhos. Sem contar todos os códigos de conduta”, diz ele. As saunas em que ele já esteve têm padrão parecido: os homens guardam seus pertences em armários ou nos quartos individuais e transitam pelo espaço nus, enrolados em toalhas e calçando chinelos fornecidos no local.
 
"A SAUNA GANHA SEMPRE"
 
Com o tempo, Fábio entendeu o significado de algumas atitudes. “Quando a toalha fica mais solta, em geral significa que o homem é ativo. Quando está mais colada, quase no umbigo, que é passivo”, ensina.
 
O funcionário público Gabriel*, 42, conta que hoje em dia vai uma vez por mês à sauna, mas já chegou a ir semanalmente. “Não tenho paciência pra boate, então entre virar a noite numa balada ou numa sauna, a sauna ganha sempre”, conta ele, que vai tanto sozinho como acompanhado do marido e de amigos. “Gosto muito de ir com quem nunca foi, para apresentar como é. O povo tem muito preconceito, mas quando vai, adora”, diz.
 
O TATO É O ÚNICO SENTIDO POSSÍVEL

Gabriel detalha um pouco mais como funciona o espaço da sauna. “Geralmente tem uma sauna seca e uma a vapor, chuveiros, uma hidro, piscina, e, claro, uma parte mais fetiche, composta de quartos, corredores, telas exibindo filmes pornô e os dark room”, explica ele, se referindo às salas escuras, onde o tato é o único sentido possível.

“Pra quem gosta de ver, a sauna é o espaço ideal. Os homens seminus, ou tomando banho pelados, já criam um clima. E lá que as fantasias se realizam, você pode apenas beijar, praticar sexo oral, sexo com mais de uma pessoa, apenas olhar, você que escolhe.”

LINGUAGEM CORPORAL
 
O funcionário público explica que há algumas regras a serem obedecidas, e todas fazem parte de um código de conduta implícito. ”Não se fala muito e mesmo os mais jovens que vão em grupo acabam sendo mal vistos quando bagunçam", conta ele. "Existe uma linguagem corporal também. Uma encostada na parede ou uma mão na toalha já diz que está a fim. Uma olhada, um gesto com a cabeça, indica que quer ser seguido, e assim vai.”
 
Gabriel explica que nada é obrigatório: caso a pessoa não queria nada, basta se afastar. “Obvio que às vezes tem um sem noção que força a barra, mas é só sair de perto. Ter preservativos e lubrificantes sempre à mão também é bom”, conta ele. Os preservativos geralmente são distribuídos de graça nas saunas.

SEXO, DRINK E PAPO

Analista de sistema de 54 anos, João* conta que começou a frequentar saunas em 1979, e praticamente nada mudou de lá para cá. Para ele, são três os propósitos de ir ao local. “Primeiro o sexo, em seguida tomar um drink e em terceiro um bom papo que pode te levar a conhecer alguém interessante.”

Frequentador mensal na juventude, passou a ir às saunas semanalmente de um tempo pra cá. “Não tem aquela canseira que se tem com os aplicativos. Percebo que tem o pessoal mais maduro que está buscando uma certa camaradagem entre homens. Gosto de ir também para fazer uma boa massagem. Em alguns casos pode rolar algo com o massagista, mas em geral é só massagem terapêutica mesmo”, revela, explicando o serviço oferecido por algumas casas.

É tão instigante o ambiente da sauna gay que Rafael Farias Teixeira, 28, usou o tema para criar a web série literária “Vinicius no Mundo das Toalhas Brancas”, postada em um site voltado ao público gay. “Minha ideia era retratar a vida de um jornalista acomodado que frequenta saunas. Pra mim as saunas são uma metáfora desse comodismo”, relata o escritor dos romances "Entre Irmãos" e "Sopro", ambos publicados pela Editora Desfecho.
 
É aceitável transar com alguém que você acaba de conhecer na balada. Mas transar com alguém que você encontra na sauna, ou até mesmo ir a uma, é mal visto." (Rafael)
 
“Um dos personagens encontra o protagonista, Fernando em 'Entre Irmãos', e explica que vai para a sauna pra se polir. Ele tem uma visão de que é um lugar sujo, escuro, cheio de segredos, e ultiliza isso como penitência para quem não é merecedor de um relacionamento. Mas essa percepção da sauna pode ser diferente para cada um”, explica Rafael, dizendo que também já frequentou os espaços.
 
Rafael acredita ainda que a sauna é uma representação concreta da relação conflituosa que o gay tem com sua sexualidade. “Ao mesmo tempo em que muitos querem explorar esse lado, com experiências efêmeras e hedonísticas, os gays brasileiros, pelo menos, são rápidos para julgar outros gays que fazem as mesmas escolhas. É aceitável transar com alguém que você acaba de conhecer na balada. Mas transar com alguém que você encontra na sauna, ou até mesmo ir a uma, é mal visto”, finaliza.

*Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados


F.L

Via: igay