“O que me leva até a sauna é o tesão imediato.” É essa a resposta direta do produtor de arte Fabio Oliveira de Santana, 25. Hoje frequentador esporádico dos espaços, ele relata que ia com mais frequência quando era mais novo. Sua iniciação na sauna foi aos 18. “No começo era um fetiche mesmo, mas depois virou o lugar onde eu sabia que poderia ir para transar”, explica.
“Posso te dizer que é um universo à parte", explica Fábio. "Ali você encontra do menino que está se descobrindo até os caras bem mais velhos. Sem contar todos os códigos de conduta”, diz ele. As saunas em que ele já esteve têm padrão parecido: os homens guardam seus pertences em armários ou nos quartos individuais e transitam pelo espaço nus, enrolados em toalhas e calçando chinelos fornecidos no local.
"A SAUNA GANHA SEMPRE"
Com o tempo, Fábio entendeu o significado de algumas atitudes. “Quando a toalha fica mais solta, em geral significa que o homem é ativo. Quando está mais colada, quase no umbigo, que é passivo”, ensina.
O funcionário público Gabriel*, 42, conta que hoje em dia vai uma vez por mês à sauna, mas já chegou a ir semanalmente. “Não tenho paciência pra boate, então entre virar a noite numa balada ou numa sauna, a sauna ganha sempre”, conta ele, que vai tanto sozinho como acompanhado do marido e de amigos. “Gosto muito de ir com quem nunca foi, para apresentar como é. O povo tem muito preconceito, mas quando vai, adora”, diz.
Gabriel detalha um pouco mais como funciona o espaço da sauna. “Geralmente tem uma sauna seca e uma a vapor, chuveiros, uma hidro, piscina, e, claro, uma parte mais fetiche, composta de quartos, corredores, telas exibindo filmes pornô e os dark room”, explica ele, se referindo às salas escuras, onde o tato é o único sentido possível.
“Pra quem gosta de ver, a sauna é o espaço ideal. Os homens seminus, ou tomando banho pelados, já criam um clima. E lá que as fantasias se realizam, você pode apenas beijar, praticar sexo oral, sexo com mais de uma pessoa, apenas olhar, você que escolhe.”
LINGUAGEM CORPORAL
O funcionário público explica que há algumas regras a serem obedecidas, e todas fazem parte de um código de conduta implícito. ”Não se fala muito e mesmo os mais jovens que vão em grupo acabam sendo mal vistos quando bagunçam", conta ele. "Existe uma linguagem corporal também. Uma encostada na parede ou uma mão na toalha já diz que está a fim. Uma olhada, um gesto com a cabeça, indica que quer ser seguido, e assim vai.”
SEXO, DRINK E PAPO
Analista de sistema de 54 anos, João* conta que começou a frequentar saunas em 1979, e praticamente nada mudou de lá para cá. Para ele, são três os propósitos de ir ao local. “Primeiro o sexo, em seguida tomar um drink e em terceiro um bom papo que pode te levar a conhecer alguém interessante.”
Frequentador mensal na juventude, passou a ir às saunas semanalmente de um tempo pra cá. “Não tem aquela canseira que se tem com os aplicativos. Percebo que tem o pessoal mais maduro que está buscando uma certa camaradagem entre homens. Gosto de ir também para fazer uma boa massagem. Em alguns casos pode rolar algo com o massagista, mas em geral é só massagem terapêutica mesmo”, revela, explicando o serviço oferecido por algumas casas.
É tão instigante o ambiente da sauna gay que Rafael Farias Teixeira, 28, usou o tema para criar a web série literária “Vinicius no Mundo das Toalhas Brancas”, postada em um site voltado ao público gay. “Minha ideia era retratar a vida de um jornalista acomodado que frequenta saunas. Pra mim as saunas são uma metáfora desse comodismo”, relata o escritor dos romances "Entre Irmãos" e "Sopro", ambos publicados pela Editora Desfecho.
“
É aceitável transar com alguém que você acaba de conhecer na balada. Mas transar com alguém que você encontra na sauna, ou até mesmo ir a uma, é mal visto." (Rafael)
“Um dos personagens encontra o protagonista, Fernando em 'Entre Irmãos', e explica que vai para a sauna pra se polir. Ele tem uma visão de que é um lugar sujo, escuro, cheio de segredos, e ultiliza isso como penitência para quem não é merecedor de um relacionamento. Mas essa percepção da sauna pode ser diferente para cada um”, explica Rafael, dizendo que também já frequentou os espaços.
*Os nomes foram alterados a pedido dos entrevistados
F.L
Via: igay
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