Duas noivas, dois buquês, seus pais e um casamento para
entrar para a história. No dia 10 de maio, as empresárias Bruna Witwytzky, de
24 anos, e Nadja Toumani, agora Witwytzky, de 29, disseram sim uma à outra numa
cerimônia tradicional, para 300 convidados, em Campo Grande.
O Lado B é um canal declaradamente apaixonado por casamento
e suas histórias de amor e quando se deparou com a foto das duas saindo da
cerimônia, casadas oficialmente, não se aguentou. As duas vestidas de branco, os sorrisos dos
convidados e a alegria estampada no rosto das mulheres merecia ser contada. Não
por ser um casamento gay, ou qualquer que seja a classificação, mas por ser um
casamento e ponto.
As duas se conheceram há quatro anos, aqui na Capital. A
história envolve capítulos de namoro à distância e de prova de amor. Advogada,
Bruna largou um cargo público federal em São Paulo, alcançado através de
concurso, porque não aguentou de saudades.
“Voltei para casar. Eu disse, se eu voltar a gente casa?”
Este foi o “pedido” de casamento. Nenhuma delas tinha o sonho de entrar na
igreja, de véu e grinalda. Não “tinha”. Depois que o amor entrou em cena,
mudaram-se os atos.
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Bruna, a primeira noiva a entrar, foi levada pelo pai.
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Nadja e o pai, que a conduziu até o altar.
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“Primeiro a gente pensou só no papel, mas é um momento muito
especial, você vai querer que marque, vamos querer mostrar as fotos para os
nossos filhos”, descreve Nadja. Ao mesmo tempo, vinha o impasse de por que não
realizar um casamento como manda o figurino?
“A gente sentiu que era quase uma missão social. O
preconceito, ele começa dentro de você. Por quê casar só no cartório se as
outras pessoas fazem o tradicional?, se perguntou Bruna.
Em seis meses elas planejaram a festa. O desejo inicial era
casar no campo, em um local aberto. A escolha foi pela Estância Havaí. Os convites
foram enviados para 300 convidados, destes só faltaram mesmo quem não pode vir
por motivo extraordinário. No fim das contas, foram 297 sorrisos de felicidade
na troca de alianças. “Vieram amigos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo
Horizonte, Espírito Santo e até da Guatemala”, enumera o casal.
A beleza de um casamento entre mulheres está, creio eu, nos
vestidos brancos. Bruna e Nadja escolheram os modelos com o mesmo estilista,
mas de surpresa uma para a outra. Elas só viram os trajes no grande dia. “A
gente ia junto, mas não olhava. Uma entrava no provador, saía e a outra
entrava”, contam.
Com duas noivas, os olhares têm de se dividir entre quem
está no altar, à espera, e quem entra depois. Com a trilha sonora de Maria
Bethânia e Marisa Monte, Bruna e Najda foram conduzidas pelos pais, por vontade
própria, até o juiz de paz.
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As alianças e as pulseiras que as duas usavam foram
presentes da mãe de Nadja.
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“Eles que fizeram questão”, frisam. Na foto, dá para a
emoção nos olhos dos dois. Tanto o pai de Bruna, como o de Nadja, demonstravam
o nervosismo e a responsabilidade de entregarem as filhas no altar.
“Ele estava
com sorriso de orelha a orelha, falando que a gente estava linda”, conta Nadja
sobre a expressão do sogro.
As noivas se vestiram juntas. Antes da entrada, entrelaçaram
as mãos. “Era um momento nosso, a gente se declarou e rezou antes de entrar”,
narram.
A definição de quem ia esperar a outra no altar partiu de
Bruna, como argumento para rebater comentários nem sempre generosos. A
empresária explica que queria quebrar o conceito de quem insiste em pontuar
quem é o “homem” da relação. “A Nadja ela é mais estilosa, prefere calças e
sapatos, eu sou mais clássica, gosto de salto e maquiagem, quando definiu, eu
fiz questão de entrar para esperar ela e mostrar que não existe isso. Somos
duas noivas”, explica.
Pelo número de convidados, a cerimônia aconteceu no gramado
em frente à capela. Foi realizada por um juiz de paz e pela tia da noiva Nadja,
considerada pelo casal espiritualizada a ponto de falar para todos sobre amor e
casamento.
“Foi muito emocionante, a gente não esperava que ia ficar,
mas ficamos nervosas. Foi chegando perto, começou a ansiedade”, narra Nadja.
“Foi, definitivamente, o dia mais feliz da minha vida”, completa Bruna.
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A avó de Nadja, dona Nori, aos 89 anos, chama as duas num
canto e faz questão de tirar foto mostrando o dedo, como quem dá o recado
contra o preconceito.
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O casamento foi todo tradicional, como de qualquer casal,
exceto pela dança, deixada de lado. As noivas contam que até tentaram ensaiar
uma coreografia como “a primeira valsa”, mas ouviram conselhos da professora de
dança de que seria perda de dinheiro, visto que nenhuma das duas levava jeito.
As noivas não encontraram resistência nenhuma por parte dos
profissionais e fornecedores que trabalharam para a festa acontecer, pelo
contrário. “Mesmo os que tinham uma religião, se sentiram orgulhosos e muito
gratos de participarem daquele momento”, concluem as duas.
Surpresos ficaram os pais das noivas, que não sabiam do
nível de organização do casamento. Por não participar ativamente das decisões,
eles estiveram como espectadores da felicidade das filhas. Outra surpresa,
descreve Nadja, foi a presença maciça dos amigos dos pais. “Eles estavam com
medo e todo mundo fez questão de ir, de estar lá”, comemora.
“Não teve nenhum parente que deixou de ir, nossos amigos
disseram que foi muito importante, que quebramos barreiras de muitos casais,
mudou, todo mundo se abriu. A aceitação foi incrível”, comentam. Uma das fotos
exemplifica com perfeição a afirmação das noivas. A avó de Nadja, dona Nori,
aos 89 anos, chama as duas num canto e faz questão de tirar foto mostrando o dedo,
como quem dá o recado contra o preconceito. “Ela defende a gente”, explicam as
duas.
Na pista de dança, famílias inteiras, gente de toda
orientação sexual e jeito de viver. Reflexo do que Bruna e Nadja sempre
pregaram. “A gente age com naturalidade. Você quer ser aceita, se você não se
aceita? A gente fala: somos um casal, mas não ficamos levantando bandeira, é
tudo muito natural” frisa Bruna. Em nenhum momento elas ‘venderam’ a ideia de
casamento gay. “Era um casamento, tinha que ser feito, quebrou muitas
barreiras”, resumem.
Na festa, o resultado do casamento entre duas noivas é a
sorte duplicada na hora de pegar o buquê. Na fila, tinham homens e mulheres
concorrendo, mas duas jovens que pegaram, uma amiga e a outra prima das noivas.
“Eu sempre imaginei uma festa discreta, pensava vai ficar
gastando, que loucura, mas depois que a gente casa, vale à pena”, descreve
Bruna. “Eu não sonhava com isso, foi incrível”, completa Nadja.
A lua de mel do casal foi na Europa, uma viagem de 20 dias
entre Espanha, Itália e Inglaterra. No tour romântico, elas receberam a ligação
do pai de Nadja, que precisava a todo custo dizer algo que talvez tenha ficado
preso na garganta por anos. “A minha entrada com você, definitivamente, foi o
dia mais feliz da minha vida”.
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"Pode beijar a noiva". E assim foi o casamento
delas, não gay, ou qualquer que seja a classificação, um casamento e ponto.
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Notícia retirada do site Campo Grande News.
M.A.






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