Com penas que variam entre 16 e 21 anos de prisão, três réus
foram presos logo após a sentença no Fórum Criminal da Barra Funda, em São
Paulo
Terminou na noite da última quinta-feira (03), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São
Paulo, o julgamento de três pessoas, apontadas como skinheads, por tentativa de
homicídio de quatro manifestantes que participavam de um evento em repúdio à
homofobia e ao racismo, no centro da cidade, em 26 de fevereiro de 2011. Todos
foram condenados, com penas que variam entre 16 e 21 anos, em júri popular,
numa decisão que ainda cabe recurso.
O ataque ocorreu durante as Jornadas Antifascistas,
organizadas desde 2000 pelo Movimento Anarcopunk, em homenagem ao adestrador de
cães Edson Neris da Silva, homossexual que foi espancado até a morte na Praça
da República.
O promotor Fernando César Bolque destacou que a acusação se
focou nas provas existentes no processo, a exemplo do que narraram as
testemunhas, as vítimas e, sobretudo, o que pode ser observado nas imagens
feitas pela câmera de um terminal de ônibus próximo ao local onde foi
registrada a agressão.
“As imagens são bastante claras e não tem como os acusados
negarem que estavam em posse desses objetos que trazem menção a símbolos
nazistas”, argumentou Bolque. O processo aponta, entre os itens apreendidos,
espingarda, facão, canivetes e soco inglês.
Os acusados são Jorge Gabriel Gonzales, 23, Milton Gonçalves
do Nascimento Júnior, 23, e Rogério Moreira, 26. Eles foram presos no local. Um
adolescente de 17 anos também foi apreendido
na época e cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa. Um quarto réu
morreu antes de ser julgado.
Além dos réus e das quatro vítimas, foram ouvidas
testemunhas. O juiz Fernando Oliveira
Camargo presidiu o juri, que foi composto por seis homens e uma mulher. Os
condenados, que aguardavam o julgamento em liberdade, saíram do tribunal já
presos.
De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, Jorge
teve condenação de16 anos e sete meses de prisão por duas tentativas de homicídio e lesão
corporal leve. Milton pegou 18 anos e sete meses por duas tentativas de
homicídio, por duas lesões corporais (grave e leve). Já Rogério recebeu pena de
21 anos e cinco meses por duas tentativas de homicídio e duas lesões corporais
(grave e leve).
De acordo com a organização não governamental Casarão
Brasil, que atua em defesa dos direitos da população LGBT e acompanha o caso,
uma das vítimas foi atacada a quase 500 metros do local do evento. Segundo a
entidade, eles atacavam as vítimas dizendo “menos um macaco”. Eles destacam que
um rapaz foi ferido de forma profunda no braço, outro foi esfaqueado no abdômen
e um terceiro foi esfaqueado na cabeça. “Eles gritavam: vamos arrancar a perna
dele [em referência à prótese usada pela vítima] então fui atingido com um taco
na cabeça e desmaiei”, disse uma das vítimas em uma nota da organização.
Na entrada do fórum, representantes do movimento Anarcopunk
colocaram faixas pedindo respeito à diversidade. “Existem ações que são crimes
de ódio que são passadas como crimes de gangues ou rixas de rua, mas que, na
verdade, são grupos organizados. Eles treinam artes marciais para isso, usam
armas brancas para esse tipo de ação para machucar e até matar pessoas nas ruas
e pessoas específicas: mulheres, homossexuais, travestis, pessoas em situação
de rua, além de punks, anarquistas”, declarou um jovem, que não quis se
identificar. O grupo Anarcopunk está à frente das jornadas anti-facistas.
O promotor explicou que não foi incluída na denúncia o crime
referente à discriminação racial. Ele destaca, no entanto, que há o registro de
uma motivação fútil decorrente dessa situação, tendo em vista que eles estavam
em uma reunião de um movimento contra o fascismo e por força disso acabaram se
tornando vítimas. “É óbvio que há essa motivação, acredito que o júri se sinta
mais sensibilizado por conta disso, dessa intolerância racial. O Brasil é um
país multicultural, miscigenado e, acredito, não admite esse tipo de
comportamento”, declarou.
Fonte: Igay.
M.A.
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