A história remonta a 1972. Um aluno denunciou Jim Gaylord ao vice-reitor do Liceu Wilson por suspeitar que o professor era homossexual. Quando confrontado pelo vice-reitor, a poucos dias do feriado de Ação de Graças, Gaylord estava convicto de que a sua orientação sexual não iria afetar a sua carreira e confirmou que era gay. O professor estava enganado e acabou por ser despedido na véspera de Natal.
Gaylord decidiu processar a escola mas o caso prolongou-se por alguns anos e, em 1977, o Supremo Tribunal declarou o despedimento legítimo. Na altura, e segundo os documentos do tribunal, a homossexualidade era considerada “imoral” e “causa suficiente para o despedimento”.
“Se Gaylord não tivesse sido despedido depois de se ter descoberto que era homossexual, teria havido confusão e preocupação dos pais e pressão na administração por estudantes, pais e outros professores”, referiu o tribunal na sua decisão. Mas este ano, 42 anos depois, a história do antigo professor voltou a ser lembrada.
Em Washington, durante 30 anos, ativistas tentaram passar uma lei anti-discriminatória para proteger os professores, movidos pela experiência de Gaylord. A lei acabou por ser declarada no estado norte-americano em 2006. Seth Kirby, diretor do Centro de Jovens Oasis, em Tacoma, conhecia a história de Gaylord e decidiu que devia fazer alguma coisa por ele. Kirby contatou o atual presidente da escola onde tudo aconteceu, Kurt Miller.
“O Seth veio falar comigo e disse-me que seria ótimo se lhe pudéssemos enviar um pedido de desculpas. Contatei outros colegas da direção da escola e todos apoiaram a ideia”, afirmou Miller à ABC News. Segundo o presidente da escola, os registos mostram que Gaylord era um excelente professor e que não havia razões para o despedir. “Queremos devolver-lhe a dignidade. Quarenta e dois anos depois, a única coisa que podemos fazer é pedir desculpa”, declarou Miller.
De acordo com Seth Kirby, ao receber o pedido de desculpas, Gaylord sentiu-se bem pela história ter acabado com um final bonito. Depois de ter sido despedido, o antigo professor trabalhou como bibliotecário. Atualmente, está reformado e vive na mesma casa que tinha em 1972.

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