Você não vai querer sangue ruim no seu corpo, né? Não vai
querer sangue de gente promíscua?”
“Você está insinuando que eu sou promíscuo?”
“Não.”
“Você está insinuando que os gays são promíscuos?”
“Veja bem, o que eu quis dizer é que você é uma exceção, né. É difícil ver gays em relacionamentos estáveis como o que você está relatando para mim.”
Esse foi o diálogo
entre o estudante Leonardo Uller e a médica Mirianceli Mendonça (CRM 55924-SP)
ao tentar doar seu sangue no Hospital 9 de julho, em São Paulo.“Você está insinuando que eu sou promíscuo?”
“Não.”
“Você está insinuando que os gays são promíscuos?”
“Veja bem, o que eu quis dizer é que você é uma exceção, né. É difícil ver gays em relacionamentos estáveis como o que você está relatando para mim.”
Quando se está
disposto a doar sangue deve-se responder a um questionário para saber se você é
saudável para tal solidariedade. Ao se deparar com questões que envolvem
relacionamento nada se pede em relação a sexualidade, apenas o número de
parceiros(as) nos últimos 12 meses. Porém nesse local ocorreu a pergunta sobre
a opção sexual do estudante, que teve como resposta o absurdo citado acima.
Até que ponto o ser
humano pode chegar? Uma causa nobre como essa, onde uma pessoa é tão solidária
e acaba recebendo em troca algo desse tipo. Tantas são as pessoas que estão
agonizando em hospitais, UTIs, postos de saúde, esperando um doador que possa
salvar sua vida e isso lhe é negado pelo simples fato de ser gay!
A cada dia que
passa tenho mais medo do ser humano. Se é que pessoas com atitudes como essa
podem ser definidos como um. O que se pode esperar de um mundo onde cada vez
mais casos como esse nos são relatados?
O preconceito levando a perda de vidas. Falta empatia, respeito,
solidariedade, falta ser mais humano!
A única coisa que me consola é saber que a
vida se encarrega de tudo. A vida ensina, por bem ou por mal. Um dia, pessoas
como essa, entenderão a necessidade de um doador, seja ele heterossexual,
homossexual, bissexual, o que for, e espero que sejam pelo menos gratos a essa
pessoa.
Faça o bem sem olhar a quem. Aceite o bem
sendo ele de qualquer alguém.
Obs: Apesar de contar com o apoio de grupos estudantis,
Leonardo espera agora a manifestação de lideranças LGBT sobre o assunto.
“Mandei uma mensagem pro [deputado federal] Jean Wyllys, mas até agora nada”,
disse ele, que considera o fato homofobia.
Fonte: PopGay
F.L

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